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“São Paulo deve muito aos imigrantes”, diz médico que integrou a primeira geração de bolivianos no Brasil

“São Paulo deve muito aos imigrantes”, diz médico que integrou a primeira geração de bolivianos no Brasil

Por: Angelina Miranda

Uma das primeiras coisas que chamam a atenção dos pacientes quando chegam no consultório do ortopedista Hermógenes Rojas é o sotaque do médico. Mesmo há anos no Brasil, o boliviano não perdeu os trejeitos da língua hispânica, nem deixou para trás a trajetória de imigrante que o trouxe até São Paulo.

Décadas atrás, em meados de 1950, houve um intercâmbio cultural firmado entre o Brasil e a Bolívia. Assim que Rojas terminou o ensino secundário, soube do tratado que, entre outras medidas, oferecia bolsas de estudo. De imediato, avistou a possibilidade de iniciar nova fase em sua vida fora do país.

Então, em 1957, deixa a cidade de Cochabamba, integrando a primeira geração de imigrantes bolivianos a chegar no Brasil.

“A Bolívia tem boas faculdades, mas os profissionais não têm onde trabalhar. Esse é um obstáculo que impulsiona a imigração”, explica.

O trajeto não foi fácil, mas, ao menos, não o fez sozinho. Com mais seis amigos, enfrentou a empreitada. “Como chegamos? De todo jeito. De carretão, de trem, a pé, durante longos quinze dias de viagem”, recorda.

Mesmo com as adversidades do caminho, e as que encontrou por aqui, o imigrante formou-se em 1963. “Na minha turma tinham muitos japoneses, eu era o único latino-americano”, orgulha-se.

Dos amigos que vieram com ele, muitos deixaram o sonho pelo caminho e não concluíram os estudos, voltando à Bolívia.

Formado, Rojas atuou no Hospital das Clínicas e também trabalhou na Santa Casa, atualmente atende em seu consultório na Bela Vista, centro da cidade.  

Por sua vez, a região vive rodeada de turistas e seus hinos, perguntado sobre esta ser a Copa das Copas, Rojas diz que a imigração tem parte nisso. 

“O Brasil é cosmopolita, reúne diferentes nações e costumes, por isso esta Copa é especial, pois mexe com todos, japoneses, alemães, argentinos, imigrantes que torcem pelo país natal e pelo Brasil. A briga é no campo, fora há união”, diz.

Falando em futebol, ele não deixa de lembrar a fratura de Neymar. Lance que assistiu como torcedor e como ortopedista. “Assim que vi pensei imediatamente: Ali tem uma fratura de costela falsa ou na vertebra. Ele teve sorte, poderia ser pior”, diagnostica.

Se ao longo de sua trajetória, o boliviano contou com bons ventos na vida profissional, a vida amorosa também não ficou de lado.

No Brasil encontrou sua companheira, que de tanto conhecer os costumes andinos, chega a gostar mais da Bolívia do que ele próprio. Rojas também tem uma filha, Débora, que, assim como o pai, também trabalha na área da saúde.

Netos ele tem três. “Todos já foram pra Bolívia”, conta orgulhoso.

Atrás dos óculos, ainda hoje o jovem senhor de 76 anos faz questão de exaltar a importância da imigração, da qual se diz fruto. “São Paulo deve muito aos imigrantes, não somente aos estrangeiros, mas também os nacionais”, finaliza.