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A internet quebra a hegemonia”, diz DJ equatoriano Atawallpa Díaz sobre distribuição de música

A internet quebra a hegemonia”, diz DJ equatoriano Atawallpa Díaz sobre distribuição de música

O equatoriano Atawallpa Díaz pode ser considerado um andarilho. Morou na Argentina, Colômbia, Estados Unidos e, agora, no Brasil.

Saiu do Equador porque o país lhe parecia pequeno demais.

“Lá não existia um espaço de trabalho para propostas culturais que não fossem folclóricas ou eurocêntricas. Com essa dualidade é difícil criar uma identidade própria”, afirma.

 

 

Atawallpa é músico e DJ. Fronteiras, definitivamente, não combinam com as artes.

“É equivocado impor uma identidade à América Latina. Graças à demanda do mercado, fazem isso com bastante êxito, exportando apenas nomes como Shakira, Juanes. Mas existem iniciativas que quebram esses muros. A vinda da banda colombiana Systema Solar na Virada Cultural, ilustra esse momento”, conta.

Morando em São Paulo, o imigrante se considera um cidadão do mundo. Suas composições nascem da influência da música brega brasileira. Vertentes mexicanas, peruanas e argentinas da cumbia, completam os momentos de inspiração.

As heranças familiares também contam muito, a arte sempre esteve presente ao longo das gerações. Os avós de Atawallpa tocavam instrumentos de sopro, assim como os pais e tios.

Ele conta que faz música pelo prazer, mas que, consequentemente, há o trabalho, que se torna, a cada descoberta, mais exigente.

“Antes cada pessoa tinha uma tarefa, um papel no processo, hoje em dia quem quer viver de música tem de fazer tudo, compor, produzir, gravar e distribuir”, explica.

Mesmo com a confluência de funções, é inegável o leque que se abriu com a expansão da tecnologia, e as facilidades que ela proporciona.

“Musicalmente, continuam vendendo essa identidade latina generalizada que acaba se chocando com a pluralidade de gêneros que chega por meio da distribuição independente. A internet quebra a hegemonia”, conta.

Em São Paulo, essa pluralidade pode ser vista a olho nu, com diversos circuitos que exploram ritmos regionais e latinos, como o maracatu, o coco, e a cumbia.

“Acredito que caminhamos para uma polarização mundial. Já se vê isso na geopolítica, os Brics, são um exemplo. A cultura parece que vai seguir um caminho parecido” prevê.

 

por: Angelina Miranda