8M na Paulista: Avenida será tomada pelo direito à vida, e imigrantes prometem apoiar a luta com símbolos de identidade

Ato unificado no vão do MASP, neste domingo (8), marca o Mês da Mulher com a presença de coletivos estrangeiros. Pautas incluem combate ao feminicídio, enfrentamento ao tráfico humano, redução da jornada de trabalho e direito à vida, entre outras urgências.

São Paulo • 04/03/26 às 15:46h

As wiphalas, símbolos coloridos que representam a resistência dos povos andinos, vão colorir a Avenida Paulista neste domingo (8) em meio aos cartazes e gritos de ordem do Dia Internacional de Luta das Mulheres. Coletivos de mulheres imigrantes anunciaram que apoiaram o movimento e ajudarão a ocuparão o vão livre do Masp para somar vozes à mobilização nacional. “Vamos caminhar, falar e mostrar que não estamos sozinhas”, afirmam ativistas estrangeiras que apoiam o movimento.

A participação acontece em um ano eleitoral no Brasil, contexto no qual mesmo sem poderem votar, já que a maioria não possui cidadania brasileira, imigrantes e seus familiares prometem ocupar as ruas para influenciar os rumos das políticas públicas de gênero. A mensagem central do movimento é clara: a luta por direitos, dignidade e proteção é de todos, homens, mulheres, famílias brasileiras e imigrantes.

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Cenário de violência e descaso

O ato unificado, que reúne movimentos sindicais, sociais e entidades da sociedade civil, está marcado para as 14h (apesar de algumas convocações indicarem concentração às 10h) em frente ao museu. A programação inclui falas de ativistas e intervenções culturais para denunciar um cenário que segue desigual e violento para as mulheres.

Dados recentes acendem o alerta: o estado de São Paulo registrou 266 casos de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2018. Só na capital, 60 mulheres foram assassinadas em razão do gênero. O poder público, no entanto, executou apenas uma fração do orçamento destinado ao combate à violência. Dos R$ 8,7 milhões previstos, somente R$ 2,6 milhões foram efetivamente utilizados até dezembro, o equivalente a cerca de R$ 0,18 por mulher em situação de risco no estado.

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As dores e as bandeiras

Entre as pautas que nortearão os discursos, está o fim da escala de trabalho 6×1, com redução de jornada sem corte salarial, reivindicação que atinge diretamente as mulheres, principais afetadas pela dupla jornada e pela sobrecarga de trabalho. “Diminuir a jornada é trazer mais qualidade de vida, tempo de descanso e lazer para quem sustenta a casa e cuida da família”, destacam organizadores.

As mulheres imigrantes, muitas vezes invisibilizadas nas estatísticas e nos serviços públicos, levantam ainda bandeiras específicas como o combate ao tráfico de pessoas, a violência obstétrica e a necessidade de políticas de acolhimento que garantam integridade física e emocional a quem chega ao país em busca de recomeço.

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As bandeiras de luta que nortearão o movimento

Em um momento em que o Brasil registra o maior número de feminicídios da história e o poder público ignora grande parte do orçamento destinado à proteção das mulheres, o ato do dia 8 de março surge como um grito de resistência e proposição.

As vozes que ocuparão a Paulista carregam pautas urgentes e estruturantes para a vida das mulheres, brasileiras e imigrantes.

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CONFIRA OS EIXOS QUE CONDUZIRÃO AS FALAS, INTERVENÇÕES E MOBILIZAÇÕES:

Pelo direito à vida e integridade das mulheres

– Contra o feminicídio e a violência de gênero

– Combate ao tráfico de pessoas dentro e fora do Brasil

– Inclusão da mulher imigrante como detentora plena de direitos e sujeita à proteção do Estado

Por justiça no mundo do trabalho

– Impactos do fim da escala 6×1 e da redução da jornada na vida das mulheres

– Retrato da violência laboral: assédio moral e sexual

– Retrato da desigualdade no mercado de trabalho

Por saúde, dignidade e cuidado

– Combate à violência obstétrica

Saúde da mulher como prioridade permanente

– Política Nacional de Cuidados

Por infâncias protegidas e educação transformadora

– Combate à adultização das nossas crianças

– Combate ao casamento infantil

– Letramento de gênero como ferramenta de transformação social

Por democracia, soberania e representatividade

– A importância de mais mulheres na política

– Democracia e soberania dos povos: como essas questões afetam a vida das mulheres

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Um marco nacional

“Este será o início de um movimento nacional. Uma mobilização que ultrapassa um evento e convoca uma nação”, afirmam os organizadores. A ideia é que o ato deste domingo sirva como ponto de partida para uma articulação contínua em defesa das mulheres, sejam elas brasileiras ou imigrantes.

Em um país onde o casamento infantil, a adultização de crianças e o assédio no ambiente de trabalho ainda são realidades, ocupar a Paulista é também um ato de resistência. “Por cada mulher que teve sua história interrompida. Por cada vida que não pode virar só estatística. A mudança começa quando rompemos o silêncio”, conclui o manifesto do movimento.

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SERVIÇO:

  • O que:
    Ato do Dia Internacional de Luta das Mulheres

  • Quando:
    Domingo, 8 de março, a partir das 10h (concentração) / 14h (ato unificado)

  • Onde:
    Vão livre do MASP – Av. Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo/SP

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