Día de la Marinera: Em Terras Paulistanas, O Lenço Branco da Marinera Balança Longe do Peru

Imigrantes perpetuam nos eventos da cidade a dança do cortejo, tornando-se embaixadores de uma tradição que é pura identidade peruana.

São Paulo • 07/10/25 às 11:16h
Atualizado • 07/10/25 às 13:11h

Para milhares de peruanos que fizeram de São Paulo seu lar, certas tradições são como raízes que atravessam fronteiras. E no calendário afetivo dessa comunidade, o dia 7 de outubro brilha com uma luz especial. É o Día de la Marinera, uma data que, longe de ser esquecida na migração, ganha vida em festas cívicas, encontros folclóricos e nas casas de cultura que pulsam no coração da metrópole.

Mais do que uma simples dança, a Marinera é a essência do Peru traduzida em movimento. Uma manifestação cultural com raízes que se entrelaçam nas heranças indígena, africana e espanhola. Inicialmente conhecida como “zamacueca”, recebeu seu nome definitivo das mãos do escritor Abelardo Gamarra, “El Tunante”, que a batizou de “marinera” em homenagem à Marinha de Guerra do Peru e ao herói nacional Miguel Grau.

A data de 7 de outubro foi escolhida para celebrar esta tradição em memória de Augusto Áscuez Villanueva, “o senhor das jaranas”, figura fundamental na popularização da marinera limeña.

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O Baile do Cortejo e a Comunidade em SP

Quem já viu uma apresentação de Marinera dificilmente esquece: é um diálogo mudo e elegante entre dois corpos. Os dançarinos, vestidos com trajes coloridos e cheios de fulgor, manuseiam com gracia pañuelos brancos, enquanto executam zapateios precisos, giros e fugas. No centro de tudo, está o jogo do cortejo: o homem, galante, persegue e corteja a mulher, que, altiva e cheia de malícia, esquiva-se e responde com olhares e movimentos.

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Em São Paulo, esse espetáculo de cultura e resistência se repete. Grupos folclóricos formados por imigrantes e seus descendentes mantêm viva a chama.

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O amor em movimento!

Há mais de 15 anos, Luis Ortiz, do Peru, e Lili, da Colômbia, tecem juntos uma linda história de dedicação à cultura em São Paulo. Unidos pela paixão pela arte e pelo folclore, este casal multicultural cultiva e promove com maestria a elegante Dança da Marinera, levando a essência peruana para o coração da cidade.

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Que lindo ver essa tradição tão viva e sendo compartilhada com tanto amor! Registrado no dia da Peruanidade 2025, na Praça Coronel Fernando Prestes (Metrô Tiradentes), São Paulo – Foto: Leonor Hills

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Este registro, cheio de energia e cor, foi capturado durante o vibrante Dia da Peruanidade 2025, na Praça Coronel Fernando Prestes, um ponto de encontro da comunidade latina. No compasso do cajón e com o volteio dos lenços, Luis e Lili nos lembram que a cultura é um laço que une povos, transcende fronteiras e se renova a cada passo.

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Juventude e Tradição: A Marinera Norteña Encontra Seu Ritmo em São Paulo

Nascidos no norte do Peru, Carlo e Talía carregam nas pontas dos dedos e no volteio dos lenços uma missão: levar a elegância de sua terra natal ao coração da metrópole brasileira.

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A pura essência da tradição peruana ganha vida em Brasil! Em um momento de perfeita sintonia, Carlo e Talía congelam no tempo a elegância e paixão da Marinera Norteña. Nesta bela pose de dança, cada detalhe conta uma história: a postura altiva, o diálogo silencioso entre os olhares e o dramático volteio dos lenços brancos que parecem pintar o ar com sua herança cultural. Foto: Divulgação.

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A história de Carlo Piero e Talía poderia ser a de muitos jovens imigrantes, mas o que eles carregam consigo é uma herança que se expressa no movimento. Nativos do norte do Peru, ele de Trujillo, ela de Chiclayo, eles não aprenderam a dançar; aprenderam a viver a dança. Carlo tem o compasso no corpo desde os 7 anos. Talía, desde os 4, quando mal conseguia segurar o grande lenço branco que hoje maneja com tanta graça.

Há três anos, essa paixão ancestral ganhou um endereço em São Paulo: o projeto “Raízes Nortenhas”. Mais do que um grupo folclórico, é a missão pessoal desse casal de compartilhar, “com muito orgulho”, como eles mesmos dizem, a cultura que os define. A principal embaixadora é a Marinera Norteña, reconhecida como Patrimônio Cultural do Peru, uma dança de galanteio, cheia de força e elegância, que é a expressão máxima do romantismo da costa peruana.

“Através de cada passo e cada movimento do lenço, celebramos a identidade peruana”, compartilham. Eles não veem fronteiras para sua arte, apenas pontes. Do calor do norte peruano à energia de São Paulo, Carlo e Talía provam que a tradição, quando cultivada por mãos jovens, não é um museu. É um convite vivo, um laço que se tece com a comunidade e mantém suas raízes vibrantes e profundas, mesmo a milhares de quilômetros de casa.

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Variedade multicultural

A dança, porém, não é uma só. Com o tempo, surgiram estilos regionais distintos: a energia contagiante da marinera norteña, a suavidade marcada da limeña, a expressão melancólica e estilizada da andina e a versão majestosa que inclui o cavalo peruano de passo.

Para a comunidade peruana em SP, celebrar o Día de la Marinera é mais que um evento folclórico; é um ato de pertencimento. É humanizar a saudade e educar os olhos curiosos dos brasileiros e de outros imigrantes sobre a riqueza que carregam. É fazer com que, pelo menos por um instante, o som do cajón e das guitarras, o volteio dos lenços e a batida dos pés no chão transformem um pedaço de São Paulo em um pedacinho do Peru.

Foto Luis e Lili – Leonor Hills 

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