Repúdio ao Gesto Colonial: A Tecnologia Não Apaga Nossa Identidade, o Preconceito Sim

Diante do episódio ocorrido durante a gravação do programa do apresentador Luciano Huck, no qual foi solicitado a participantes indígenas que escondessem seus aparelhos celulares.

São Paulo • 12/12/25 às 17:15

Tal atitude não representa um mero constrangimento individual, mas sim a reprodução de uma visão colonial e estereotipada que insiste em tratar os povos originários como “relíquias do passado”, negando-lhes sua contemporaneidade, sua agência e seu direito pleno de existir e se comunicar no mundo moderno. Ao sugerir que a autenticidade indígena é incompatível com a tecnologia, o ato perpetua uma narrativa perversa de apagamento cultural e desrespeito à sua autonomia.
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“A atitude racista e desrespeitosa do apresentador Luciano Huk só vem reafirmar o preconceito que nós indígenas sofremos cotidianamente pelos não indígenas, inclusive sou muito vítima desse tipo de discurso e recentemente eu e meu povo formalizamos um processo no MFP justamente por falas racistas como essas de uma pessoa branca não indígena, colonialistas que não aceitam as evidências da nossa intelectualidade social, científica e cultural, pois sempre fomos pessoas evoluídas e primórdios de tudo que o mundo dos brancos impuseram como verdade científica, pois se esqueceram que roubaram e contrabandearam dos nossos territórios os conhecimentos ancestrais impiricos que hoje são estabelecidos como científicos”. afirmou a ativista indígena Mara Barreto Sinhosewawe Xavante, em nota à redação do Bolívia Cultural.

Verdade é, que muitos brancos não suportam ver é o indígena sendo dono da sua própria voz, território e cultura, e tentam nos delimitar em estereótipos que os próprios criaram para afirmar quem é indígena ou não, desse modo intentando apagar a nossa voz, como fizeram no passado e continuam tentando na atualidade”. Concluiu Mara Barreto.

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NOTA DE REPÚDIO do BOLIVIA CULTURAL

O Bolivia Cultural vem a público repudiar veementemente as declarações ofensivas proferidas pelo apresentador Luciano Huck, que, de maneira equivocada e desrespeitosa, sugeriu que o uso de celulares por indígenas do Xingu diminuiria sua cultura ou afetaria sua “originalidade”.
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Tentar associar a preservação cultural à ausência de tecnologias é uma visão ultrapassada, estigmatizante e profundamente danosa. Nossos povos originários não perdem sua identidade por utilizarem ferramentas contemporâneas, pelo contrário, resistem, sobrevivem e se fortalecem em um mundo que sempre lhes tentou silenciar.
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O Bolivia Cultural nasce das matrizes Aymara e Quechua, carregando em sua essência a memória ancestral e viva de “Abya Yala. Por isso, sentimos profundamente o impacto das palavras proferidas. A fala de Huck não atingiu apenas o Xingu; repercutido pelas raízes da “Pachamama, reverberando até o território Andino paulistano e ferindo o orgulho ancestral que compartilhamos com nossos parentes indígenas.
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É inaceitável menosprezar ou qualificar povos originários por suas vestimentas, por seu acesso à tecnologia ou por qualquer outro aspecto que não se enquadre no imaginário exotificado de alguns setores da sociedade.
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Cultura não é objeto de museu. A nossa cultura é viva, dinâmica, pulsante, ela é nosso “Ajayu, (espírito) que se renova e se expressa em múltiplas formas.
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O que realmente importa, em nossa cosmovisão, são os séculos de luta, resistência e sabedoria que moldaram a identidade desses povos. Reduzir essa grandeza a um comentário simplista sobre celulares é, além de um equívoco, um desrespeito histórico.
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luciano-LIMPEM
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Reafirmamos nossa solidariedade total aos parentes do Xingu e a todos os povos originários de Abya Yala.

Jallalla, parentes do Xingu! Jallalla, Abya Yala!
Seguimos juntos, com um só Ajayu de paz para todo o universo.

Antonio Andrade
Fundador do Bolívia Cultural.

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