Maní: O Curta Que Cozinha a Memória e Reivindica a Nova Identidade Boliviana em São Paulo

Filme com elenco de imigrantes surfa na gastronomia para contar as histórias costuradas no “ajayu” da migração, revelando uma Paulicéia com sotaque andino

São Paulo – 04/02/26 às 07:00h

Em um almoço de família comum, o passado se serve à mesa. Um gesto antigo no preparo de uma comida, um ingrediente que atravessou fronteiras, uma receita que carrega mais do que sabor: carrega pertencimento. É nesse ritual cotidiano que se desdobra “Maní”, curta-metragem lançado em novembro de 2025 que se tornou um delicado e potente retrato da nova migração boliviana no Brasil.

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Mais do que uma narrativa sobre tradição e conexão entre gerações, “Maní” é um fruto orgânico dessa própria comunidade. Concebido, escrito e dirigido por alunos do segundo semestre de Cinema de Belas Artes, o filme navega no ajayu (a alma ou espírito) da experiência migratória contemporânea. Com uma direção de imagens envolvente, a câmera penetra a intimidade dos personagens para revelar como a gastronomia se torna o elo tangível com suas histórias e, ao mesmo tempo, a matéria-prima para construir uma nova identidade na migração.

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“Histórias costuradas em torno da gastronomia”, como interpretado pela nossa redação, “elementos que perpetuam histórias familiares dentro e fora da Bolívia”. A cozinha, assim, deixa de ser um cenário para se tornar personagem ativa, escrevendo “o DNA de uma nova geração de brasileiros com sotaque Aymara”. É essa nuance que o filme captura: a nostalgia de uma família distante, a vivência de uma cultura que se enraíza e transforma no espaço urbano, criando uma “Paulicéia vibrante com traços Andinos Amazônicos Milenares”.

Elenco majoritariamente boliviano: com Alan Sirpa Callisaya, Juan Cusicanki, Ángela Paz, Lorena Porcel Plata, Flores, Adolfo Bejarano, Fátima Salazar. “Maní” é um trabalho comunitário.

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A realização do projeto é um exemplo dessa nova tessitura social:

Ele foi viabilizado por uma rede de apoios que inclui a acadêmica Professora Dra. Daiana Felix, com apoio da Fundação Memorial da América Latina, Associação Cultural Folclórica Bolívia Brasil (ACFBB) e a produtora Papaya Cine, evidenciando o amadurecimento de uma produção artística autoral jovem paulistana.

 

EQUIPE MANÍ:

DIREÇÃO:
Dhominy Mancini e Vinícius Mendes
* Assistência de direção: Taís Machado
* Continuísta: Mateus Félix

PRODUÇÃO: Luiza Maia Arruda
* Assistência de produção: Taís Machado

PRODUÇÃO EXECUTIVA:
* Dhominy Mancini
* Luiza Maia Arruda
* Paula Arraias
* Taís Machado
* Vinícius Mendes

ROTEIRO:
* Juan Vega
* Alicia Maia
* Luigi Natalino

DIREÇÃO DE ARTE: Maria Elisa Barbosa
* Assistência de arte: Alícia Maia e Luigi Natalino

DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA: Vinícius Mendes
* 1º assistente: Juan Vega
* 2º assistente: Juliano de Souza
* 3º assistente: Taís Machado
* Gaffer: Juliano de Souza
* Operação de câmera: Juliano de Souza e Vinícius Mendes

DIREÇÃO DE ATORES:
Dhominy Mancini e Paula Arraias

DIREÇÃO DE SOM: Luiza Maia Arruda
* Assistência de som: Felipe Lopes Basilichi
* Edição de Som: Luiza Maia Arruda
* Mixagem: Guilherme Rodrigues e Luiza Maia Arruda
* Trilha Sonora: Guerra dos Santos

MONTAGEM: Mateus Felix

COLOR GRADE:
Juliano de Souza e Vinícius Mendes

STILLS E MAKING OFF:
João Pedro Ladeira e Juliano de Souza

MARKETING:
João Pedro Ladeira

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O curta, portanto, não é apenas uma obra sobre imigrantes; é um ato de fala, de identidade, de autorrepresentação. É a nova geração, com seus talentos múltiplos no cinema, na academia e na cultura, assumindo o protagonismo de sua própria narrativa. Eles não são mais apenas objeto de reportagens, mas contadores de suas próprias histórias, que entrelaçam o Brasil e a Bolívia no calor de um fogão, no gesto de temperar, no ato de compartilhar a comida, desde o Apí, a Tucumana e na saborosa “sopa de Maní” (sopa de amendoim).

A dedicatória final do filme sintetiza seu coração: “Às famílias bolivianas que mantêm viva sua memória na cozinha. Aos gestos que passam de geração em geração”. “Maní” é justamente esse gesto filmado, um presente artístico que, ao honrar a memória, afirma com orgulho o lugar dessa comunidade no cenário cultural brasileiro. É a prova de que a migração boliviana no Brasil escreve, hoje, seu próprio capítulo, e o faz com a riqueza de detalhes de um prato feito com amor, para ser saboreado e lembrado pelas novas gerações.

*O link do curta-metragem “Maní” será disponibilizado em breve. Fique atento!

instagram.com/mani.curta/

letterboxd.com/film/mani-2025

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