Projeto Boliviano Conquista Corações e o Selo de Direitos Humanos de São Paulo

Pela terceira vez consecutiva, o Bolívia Cultural é reconhecido pela prefeitura, colocando a cultura e a luta dos migrantes no centro de uma das maiores metrópoles do mundo.

São Paulo • 12/12/25 às 17:00h

Em um cenário de celebração e emoção na Sala Jardel Filho do Centro Cultural de São Paulo, realizou-se na última quarta-feira, 10 de dezembro, a cerimônia da 8ª edição do Selo de Direitos Humanos e Diversidade. A data, simbólica, marcou o Dia Internacional dos Direitos Humanos, mesma ocasião em que, em 1948, a Assembleia Geral das Nações Unidas oficializou a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O evento reconheceu gigantes sociais, coletivos, empresas e ONGs de renome, mas foi um projeto em especial que arrancou dos presentes uma salva de palmas particularmente calorosa: o Bolívia Cultural. Pela terceira vez consecutiva (2023, 2024 e agora 2025), a iniciativa recebeu a certificação no Grupo Temático Pessoas Migrantes, um feito que transcende o significado de um troféu na parede, representando um compromisso contínuo e visível com a inclusão e a diversidade.

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É o reconhecimento, por uma das maiores e mais complexas cidades do planeta, de que a construção de uma sociedade mais harmoniosa passa, necessariamente, pela voz e pela cultura daqueles que escolheram São Paulo para viver. O projeto, que atua através de plataformas digitais e uma rede de atividades presenciais em escolas e centros comunitários, tem um objetivo claro: tecer pontes. Pontes entre a Bolívia e o Brasil, ao ritmo do Samba e o Caporal, entre a história boliviana e a magnitude paulistana.

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Uma Conquista que se Mede em Raízes e Pertencimento

Três anos consecutivos com o selo não são mera coincidência; são a prova de um trabalho com raízes profundas. A relevância social é sentida na pele. Relatórios do projeto apontam que 100% das escolas visitadas pelo Bolívia Cultural relatam um fortalecimento da identidade cultural e um maior senso de pertencimento da Cultura Bolívia na rede educativa paulista, um antídoto poderoso contra a discriminação e a invisibilidade.

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Institucionalmente, o Bolívia Cultural deixou de ser apenas um projeto para se tornar um referência. Sua trajetória influenciou na rede educativa a criar modelos de atividades adequados a diversidade de uma Bolívia Multicultural (boliviano não é todo igual) criação de pautas mais sensíveis em sala de aula, e firmou parcerias sólidas com mais de 30 instituições, entre universidades.renomadas, ONGs e órgãos públicos. O projeto agora tem assento na mesa de debates que moldam as políticas de cultura, educação e direitos humanos na capital.

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Regina Célia da Silveira Santana, Secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania, durante cerimônia da 8ª edição do Selo de Direitos Humanos e Diversidade (foto: Bolívia Cultural)

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Queremos que o trabalho do Bolívia Cultural cresça e seja reconhecido mundialmente.

A secretária municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Regina Célia da Silveira Santana, parabenizou a equipe do Bolívia Cultural pela conquista do Selo pelo terceiro ano consecutivo. Em sua mensagem, expressou o desejo de que o projeto, que já possui reconhecimento internacional, intensifique e expanda ainda mais seu trabalho. “Queremos que cresça cada vez mais, que coloquem mais pessoas à frente”, disse, almejando que a iniciativa seja logo reconhecida não apenas por São Paulo, mas em todo o país e mundialmente.

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O Fator São Paulo: Um Palco Mundial para uma Conquista Local

A magnitude desse reconhecimento se amplifica no palco onde acontece. Em uma megalópole de 12 milhões de habitantes, que concentra poder econômico, político e cultural, vencer um selo disputadíssimo significa algo profundo. Significa que a narrativa migrante, frequentemente silenciada, ganha um megafone de prestígio. Mostra que o ativismo urbano por direitos se enriquece imensuravelmente com a perspectiva de quem chegou de longe. E, talvez o mais importante, serve de farol para outras migrações: é possível, com organização, capacitação e cultura, criar espaço e ser ouvido.

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Ecossistema digital global que gira em torno ao Bolívia Cultural que se tornou referência em integração cultural entre os povos. Uma ponte midiática que conecta tradição e modernidade, dando voz às comunidades na esfera global.

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“Estar Entre os Melhores”: O Legado de Um Conselho Paterno

Ao final da cerimônia, com o certificado nas mãos pela terceira vez, Antonio Andrade, fundador do Bolívia Cultural, não citou números ou estratégias. Sua voz embargou ao lembrar de seu pai, ainda na Bolívia: Antonio, para você ser o melhor, você deve estar sempre rodeado dos melhores.

Olhando para a plateia, repleta de líderes sociais e gestores públicos, ele concluiu, com a simplicidade de quem carrega uma missão: Hoje, nesta sala, sei que me encontro entre os melhores. E este selo não é só nosso; é de toda a comunidade que acredita que nossa diversidade é a maior riqueza de São Paulo.

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Bolívia Cultural prova, assim, que o legado mais valioso que se pode trazer na mala de uma migração não cabe em objetos. Cabe na coragem de semear dignidade e na arte de transformar raízes culturais distantes em flores de reconhecimento e integração no asfalto da maior cidade do país.

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