Viello Torres vence eleição da ACP em São Paulo e comandará associação peruana até 2030

Chapa “Unidos por el progreso de nuestra comunidad” venceu pleito realizado no Brás; renovação institucional é destaque para os próximos quatro anos

São Paulo, 04/05/26 às 02:30h
Atualizado, 04/05/26 às 15:48h

A Associação de Cidadãos Peruanos Residentes em São Paulo (ACP) definiu, no último domingo (3), sua nova diretoria para o quadriênio 2026-2030. A chapa encabeçada por Viello Torres, com o vice-presidente Julio Altamirano, foi a vencedora da eleição realizada no Restaurante Mochica, localizado no bairro do Brás, região central da capital paulista e tradicional polo de comércio e convivência da comunidade peruana na cidade.

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O comércio popular gastronômico ferve nas imediações da Praça Padre Bento, no Brás (SP), próximo ao local de votação. (Foto: Oscar Vasquez-Solis)

O pleito estava inicialmente previsto para ocorrer das 10h às 16h, mas a alta procura de associados para votar levou os candidatos a um acordo inédito: prorrogar o horário de votação até as 17h. Mesmo com a extensão, eleitores enfrentaram fila na porta do único local de votação ao longo de todo o dia, sinal do engajamento da comunidade no processo eleitoral.

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Dentro do recinto eleitoral, mesários registram os livros de votação. Lá fora, filas de famílias aguardam para votar. A democracia peruana em São Paulo. (Fotos: Oscar Vasquez-Solis)

Com o lema “Unidos por el progreso de nuestra comunidad”, a chapa vencedora apresentou cinco eixos programáticos principais: a locação de um espaço institucional próprio, financiado pelos associados; a realização de eventos culturais, esportivos, comerciais e de lazer a cada quinze dias, com enfoque familiar; a criação de uma cooperativa de crédito para apoio financeiro entre os membros; a implementação de um banco de empregos com registro digital de vagas; e o fomento a pequenos empreendedores peruanos por meio de capacitação, sucessão empresarial e rede de contatos.

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Residente peruano vota em São Paulo. A democracia peruana em prática na capital paulista. (Foto: Oscar Vasquez-Solis)

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A chapa eleita para a gestão 2026-2030

Além do presidente Viello Torres e do vice-presidente Julio Altamirano, compõem a nova diretoria da ACP:

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Sheila Mondragon
Secretária-geral

Danner Zapata
Conselheiro nº 01

Raquel Sedano
Conselheira nº 02

Monica Mergoza
Conselheira nº 03

Yincson Mondragón
Tesoureiro

Jaime Espinoza
Conselheiro fiscal nº 01

Oswaldo Pachas
Conselheiro fiscal nº 02

Moises Solano
Conselheiro nº 04

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O que é uma associação sem fins lucrativos e por que sua renovação importa

Fundada há dez anos na cidade de São Paulo, a ACP completa uma década de existência em 2026. Para muitos brasileiros e imigrantres que acompanham o noticiário, o funcionamento de uma associação sem fins lucrativos como a ACP ainda desperta dúvidas. De forma simples: esse tipo de organização não tem como objetivo gerar lucro para sócios ou dirigentes. Todo recurso que entra, seja por meio de mensalidades, doações, eventos ou parcerias, deve ser obrigatoriamente reinvestido nas atividades e projetos previstos em seu estatuto social.

No caso da ACP, essas atividades incluem a promoção da cultura peruana, o auxílio na integração de imigrantes à sociedade brasileira, a oferta de serviços de orientação documental e trabalhista, e o fortalecimento dos laços comunitários. Por não visar lucro, a associação goza de certos benefícios previstos na legislação brasileira, como imunidade tributária sobre seu patrimônio e receitas, desde que cumpra rigorosos requisitos legais.

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Famílias completas formam filas. Eleitores chegaram de diferentes bairros de São Paulo para votar. (Fotos: Oscar Vasquez-Solis)

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Responsabilidades perante o Estado brasileiro

Uma associação como a ACP não é um órgão do governo, mas se relaciona diretamente com o Estado brasileiro em várias frentes. Primeiro, precisa manter seu registro atualizado no Cartório de Pessoas Jurídicas e no Conselho Nacional de Imigração (CNIg), quando lida com estrangeiros. Segundo, deve prestar contas anualmente à Receita Federal por meio da Declaração de Imunidade e Isenção, comprovando que não houve desvio de finalidade, ou seja, que todo o dinheiro foi aplicado nas atividades sociais e não beneficiou particulares.

Terceiro, se receber recursos públicos por meio de convênios ou termos de parceria (como editais de cultura ou assistência social), a associação se submete à fiscalização do tribunal de contas correspondente (municipal, estadual ou federal), além do Ministério Público. Quarto, precisa ter um Conselho Fiscal próprio, eleito separadamente ou no mesmo pleito, para auditar as contas internamente, papel que, na ACP, caberá a Jaime Espinoza e Oswaldo Pachas a partir de 2026.

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A importância da renovação institucional

Completar dez anos de existência é um marco para qualquer entidade associativa. Mas também é um ponto de risco: associações que permanecem muitas gestões sob as mesmas lideranças tendem a perder vitalidade, transparência e capacidade de atrair novos quadros. A realização de eleições periódicas e competitivas, como a que ocorreu no último domingo, é o principal antídoto contra o chamado “aparelhamento” ou “estagnação diretiva”.

A renovação institucional importa por três razões básicas, compreensíveis mesmo para quem não tem familiaridade com o funcionamento do terceiro setor:

1) Legitimidade: dirigentes eleitos têm autoridade moral e jurídica para representar a comunidade perante órgãos públicos, empresas e outras entidades. Uma chapa vencedora como a de Viello Torres carrega o respaldo das urnas.

2) Inovação: novas lideranças trazem ideias frescas, novas redes de contato e, muitas vezes, maior sintonia com as necessidades emergentes dos associados, como o banco de empregos digital ou a cooperativa de crédito propostos na campanha vitoriosa.

3) Prestação de contas à comunidade: a alternância no poder ou mesmo a reeleição disputada forçam todos os envolvidos a mostrar resultados concretos. Sem renovação, a associação corre o risco de se tornar um clube fechado, perdendo sua razão de existir.

Para a comunidade peruana em São Paulo, estimada em mais de 50 mil pessoas segundo dados consulares recentes, a eleição da ACP representa não apenas a escolha de nomes, mas a reafirmação de um compromisso: o de que a entidade continuará sendo uma ponte confiável entre os imigrantes e o Estado brasileiro, nos campos da documentação, trabalho, saúde, educação e cultura.

A posse da nova diretoria está prevista para ocorrer ainda no mês de maio de 2026, em cerimônia aberta aos associados. A partir de então, Viello Torres e sua equipe terão quatro anos para implantar as propostas que os levaram à vitória, e para demonstrar que a renovação institucional, na prática, entrega o que promete no papel.

Fotos: Oscar Vasquez-Solis

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